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Carnaval 2005

 

CARNAVAL NO BRASIL

RAHA PEN/ 25/February/2005

Laíla, Cid Carvalho, Fran-Sérgio, 
Shangai e Ubiratan Silva
Comissão de Carnaval

Na infinidade dos céus, luziu a claridade da grande estrela.

Era a anunciação da luz mensageira.

A luz em forma de menino.

A fonte que fez cintilar a igualdade entre as raças e juntou a mirra, o ouro e o incenso em louvor ao soberano do reino
dos céus.

E a luz se fez homem.

   O tempo passou. O império das trevas se fez anunciar e a noite se sobrepôs ao dia... Reinou a escuridão.

O homem ergueu fabulosos templos e bordou com o mais rico metal. Mas, sem seguir os ensinamentos do Bom Pastor, afastou-se
da caridade perfeita, a inspiração eclesiástica.

   Os cataclismos da Inquisição pareciam jogar, definitivamente, por terra, os últimos vestígios dos herdeiros do trono de Pedro.

Numa Europa decadente, protesta o rebanho de uma igreja de controvérsias e, com a reforma de Lutero, a mais sólida instituição do mundo, oscila em suas próprias raízes seculares e, só não cai, porque o bafejo do Senhor ainda a alimenta. 

 Se fazia necessário substituir as almas dissidentes e arrebatar novas ovelhas para um rebanho disperso.

Bem-aventurado sejas, Oh! Mundo Novo!

Sinais de um novo tempo a se descortinar.

As terras conhecidas estenderam-se para o ocidente desconhecido. E para lá seguiram os missionários da esperança cristã, que levavam a missão de restaurar a fé perdida e pregar por recantos insólitos os ensinamentos do Rei dos céus.

Através dos princípios da Companhia de Jesus, Deus desceria novamente até os homens, envolvendo-os na paz de Sua glória infinita.

Sul da América do Sul, o vento corta as terras dos pampas e o índio guarani é o senhor do seu tempo; tempo que trouxe os padres jesuítas e que se encarregou de multiplicar o gado e "civilizar" o índio em nome do Criador.

Ergueu-se ali, em território bravio, um verdadeiro império da opinião. Um Reino da fartura e do bem estar coletivo, que gerou Sete Missões de Amor.

A fama das Missões, também chamadas cidades perfeitas ou o novo paraíso, cortou as terras dos pampas e despertou a insanidade do sertanista bandeirante, que surgiu sorrateiro, ávido pelo mesmo gado e pelo mesmo índio civilizado.

 Mas, aquelas terras tinham dono e da coragem do guerreiro manifestou-se a resistência: Louvado seja, Sepé Tiarajú que, com a própria vida, defendeu as Missões e a nação Guarani.

  A ação missioneira que pretendemos mostrar não poderia, dessa maneira, decifrar-se unicamente na apreciação dos monumentos que se adivinharam nas fantásticas ruínas das Missões, nem nas estátuas ou na coleção de peças dessa origem recolhidas aos museus.

Faltar-lhe-ia alguma coisa.

E essa seria a própria alma que vitalizara esses mudos atestados de um mundo diferente em que palpitava a vida em gestos admiráveis de fé, em vibrações inspiradoras e fortes.

E os gestos de fé e de amor para superar a dor, fizeram dos índios e dos jesuítas, imitadores do próprio Cristo crucificado.

  A paixão de Cristo parte foi de noites sem dormir, parte de dias sem descansar, e tais foram suas noites e seus dias.

Cristo despido e eles despidos;
Cristo sem comer e eles famintos;
Cristo em tudo maltratado e eles maltratados em tudo.

Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isso se compunha a imitação daquelas almas.

Cabe hoje, a todos nós, tocados pelos ventos do passado e embalados pelos ventos do presente, preservarmos as brisas que estão por vir; com a alma guarani, nos tornarmos verdadeiros guerreiros, defensores da nossa cultura, carregando nos próprios ombros as pedras e tijolos que manterão firmes os alicerces das nossas raízes e erguer, com o suor da nossa memória, os templos indestrutíveis da nossa história.

História de fé e dor;
 De lutas e batalhas sangrentas, mas acima de tudo, de infinita resistência.

História de um povo, sobretudo forte e que se somando a tantos outros vindos de várias partes do mundo, fez triunfar no sul do nosso território, um Brasil de diversos sotaques, de variadas cores e múltiplos sabores.

  Ah! Brasil da arte de misturar.

Benditos, somos nós, frutos do vosso ventre de glória eterna.

  E abençoado és teu solo, "em que se plantando tudo dá".
 

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